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Carlos Ghosn se manifesta pela primeira vez. E nega acusações

Executivo foi ouvido por juiz de Tóquio e fez questão de negar que tenha cometido qualquer ato ilegal em seus muitos anos de carreira

O CEO da Renault e ex-presidente do conselho da Nissan, Carlos Ghosn, apareceu nesta terça (8) pela primeira vez diantes do juiz Yuichi Tada, de Tóquio. Acusado formalmente de fraude financeira e ainda preso à espera de outras acusações, Ghosn negou veementemente que tenha feito qualquer coisa de errado. "Eu sou inocente das acusações que foram feitas contra mim. Sempre agi com integridade e nunca fui acusado de ter feito nada de errado em minha carreira profissional de muitas décadas. Fui erradamente acusado e injustamente detido com base em alegações sem mérito ou substância", disse ele em um texto preparado por seu time de advogados. Ghosn foi levado ao tribunal algemado, com uma corda amarrada à cintura e muito mais magro do que quando foi visto publicamente pela última vez.

A audiência foi pedida pelos advogados de Ghosn para entender por que ele está preso há tantos dias. Havia a expectativa de que ele fosse libertado antes do Natal, mas ele continua na cadeia. Tada justificou a decisão por conta receio de que o executivo fuja e de que destrua evidências.

Em sua defesa, Ghosn reforçou a ideia de que foi vítima de um motim, ainda que não tenha dito isso com todas as letras. "Tenho um amor genuíno pela Nissan. Acredito fortemente que em todos os meus esforços em prol da companhia, agi de modo honrado, legal e com o conhecimento e aprovação dos executivos apropriados dentro da empresa. Com o propósito único de apoiar e fortalecer a Nissan, ajudando-a a restaurar seu lugar como uma das melhores e mais respeitadas fabricantes do Japão", disse ele. Apesar de ter sido destituído de seus cargos na Nissan e na Mitsubishi, Ghosn continua a ser o CEO da Renault, em um voto de confiança dado pela empresa francesa.

Carlos Ghosn

O motim teria sido motivado pela intenção de Ghosn de unir Nissan e Renault definitivamente sob uma mesma empresa, algo de que os acionistas japoneses da Nissan não teriam gostado nadinha. No mercado, a percepção é que a Nissan estaria insatisfeita com o papel que exerce na chamada Aliança. Ser formalmente submetida à Renault, e ao governo francês, teriam sido a gota d'água para desencadear a "revolta".

Sobre a acusação de ter informado um salário inferior ao que realmente recebia, fundamento da acusação de fraude fiscal, Ghosn disse o seguinte: "Nunca recebi nenhuma compensação da Nissan que não tivesse sido informada. Nem nunca estabeleci nenhum contrato com a Nissan para receber valores não informados". O executivo também nega que tenha desviado investimentos pessoais que teriam dado prejuízo de 1,85 bilhão de ienes à Nissan. O que ele confirma é que pediu à empresa para assumir temporariamente a despesa devido aos contratos de remessa de divisas estabelecidos pelo executivo, mas que a empresa não teve nenhum prejuízo com a operação.

Carlos Ghosn

Ghosn também foi acusado de usar dinheiro da Nissan para fazer pagamentos a Khaled Juffali, que teria dado ao executivo uma carta de crédito pessoal para ele lidar com as perdas em seus investimentos. A resposta a isso foi que Juffali tinha sido pago por ajudar a Nissan, e não Ghosn, a garantir crédito, resolver um problema com um distribuidor no Golfo Pérsico e negociar a abertura de uma fábrica na Arábia Saudita. Juffali confirma e diz que os pagamentos foram feitos em razão de "propósitos legítimos de negócios".

Resumindo, vem aí uma guerra jurídica digna de filme. Com doses fortíssimas de suspense, drama e romance policial. Como se costuma dizer, a ficção não é páreo para a realidade...

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