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Indústria pode sentir falta de peças com paralisação na Europa, diz Anfavea

Continente se tornou o principal epicentro de propagação do novo coronavírus e tendência é que produção pare

Os impactos que o coronovírus podem causar à indústria automotiva brasileira ainda são difíceis de estimar. Esta é a mensagem que a Anfavea, entidade que reúne os fabricantes de veículos do país, tem para passar neste momento. A Kelley Blue Book Brasil conversou a associação e questionou algumas das principais marcas para entender como está sendo o primeiro estágio de covid-19 em solo nacional. 

De acordo com a Anfavea, ainda não há notícia de que haja contaminação em algum funcionário de alguma empresa associada. Portanto, de maneira geral, não há impactos na produção de veículos até este momento, "mas a situação pode mudar a cada dia", conforme a assessoria da entidade. 

Além da preocupação com os trabalhadores locais, a propagação do coronavírus afeta o abastecimento de peças importadas que venham de países com restritas medidas de paralisação. É o caso da China que, embora já tenha revertido a curva de transmissão do vírus (registrando cada vez menos casos de contaminação), passou por uma completa interrupção de produção que ainda pode ter consequências na nossa produção entre o final deste mês e o começo de abril. 

Segundo a Anfavea, a China corresponde a 13% das peças importadas utilizadas pelas fabricantes brasileiras e como o transporte deste material leva cerca de 8 semanas entre os dois países, o estoque que as empresas têm até aqui permite manter o ritmo de produção regular, contudo, esta paralisação chinesa acarretará numa lacuna de abastecimento até a situação chinesa se normalizar. 

Todavia a China não é a maior preocupação da Anfavea neste momento. Agora que a Europa detém a posição de principal epicentro de propagação do coronavírus no mundo, medidas cada vez mais severas estão sendo impostas aos países europeus para frear a transmissão da doença, o que certamente impactará o fornecimento de peças para a indústria e até de veículos para o comércio no Brasil nos próximos meses. Ainda não há, porém, alguma estimativa do tamanho deste impacto na produção local.  

A Anfavea diz que o estoque de oferta de veículos das empresas associadas consegue manter um ritmo de vendas normal por 30 a 40 dias após alguma possível (ou provável) mudança no ritmo de produção das fábricas. Considerando que a demanda também deve arrefecer à medida que o covid-19 se espalhe pelo país e as pessoas fiquem mais isoladas, este período de estoque pode durar um pouco mais. 

O QUE DIZEM AS MARCAS

A KBB Brasil perguntou às principais marcas se já há algum impacto do coronavírus na produção, se existe alguma estimativa de prejuízos e o que as empresas estão fazendo para contribuir com a diminuição da propagação do vírus e recebeu retorno da Chevrolet, FCA, Hyundai, Volkswagen, Honda e Ford. De maneira geral, conforme a Anfavea havia nos adiantado, não há nenhuma alteração no ritmo de produção da indústria e todas elas estão adotando medidas educativas em relação à prevenção do contágio, diminuição ou cancelamento de viagens ao exterior, diminuição do número de visitas desnecessárias às dependências das empresas e isolamento de pessoas que possam ter estado em alguma região com maior incidência de casos. 

CHEVROLET:

"A GM está atenta ao avanço do coronavírus e suas implicações na cadeia produtiva junto aos fornecedores globais. Até o momento, nossa produção local não foi impactada. A empresa vem orientando seus empregados em relação às práticas de profilaxia padrão para evitar a contaminação por vírus, além de restrições de viagens e prática de quarentena para pessoas que estiveram em alguns países que são foco da epidemia do novo coronavírus."

FCA:

"Não há mudanças previstas. Nosso fluxo de componentes está normal e estamos monitorando a situação. No caso específico da FCA, não há desabastecimento de componentes. Nosso índice de nacionalização é elevado - de até 95% em modelos Fiat, e de 70% em modelos Jeep. Os fluxos estão monitorados, controlados e estáveis. Estamos monitorando atentamente o mercado, mas não há sinais de retração de vendas até o momento. 

A FCA considera prioritário resguardar a integridade e saúde de seus colaboradores, prevenindo o risco de contágio por coronavírus. Por isto, adotou uma campanha de informação e esclarecimento em suas fábricas, para disseminar as práticas de prevenção. Os materiais destacam que a melhor proteção é a informação. Apresenta as recomendações profiláticas indicadas, como lavar as mãos etc, e alerta para o risco de informações sem fundamento que podem atrapalhar a correta prevenção. Por isto, recomenda que em caso de dúvidas sejam buscadas informações no site do Ministério da Saúde, que é uma fonte confiável e autorizada. Um médico da empresa também apresenta as informações básicas. A empresa também adotou medidas para reduzir o número de acessos às plantas ao necessário às funções operacionais e também limitou o número de viagens, a fim de reduzir os riscos de exposição ao vírus. A empresa monitora atentamente a evolução da situação."

HYUNDAI:

"O coronavírus não afeta as operações da Hyundai em Piracicaba."

VOLKSWAGEN:

"A Volkswagen do Brasil informa que no momento não há impacto em sua produção em razão do coronavírus. A empresa continua monitorando de perto a evolução do tema e avaliando possíveis riscos no fornecimento de peças para as próximas semanas. Em relação aos seus funcionários, a Volkswagen segue adotando medidas de comunicação para prevenção, adiamento de viagens para locais com alta incidência e recomendação de trabalho remoto para casos específicos."

HONDA:

"A Honda está monitorando constantemente os alertas da OMS – Organização Mundial da Saúde e tem orientado seus colaboradores acerca das medidas de prevenção, por meio de comunicados via e-mail. Com relação às viagens corporativas internacionais estão proibidas viagens para a Coréia do Sul, China (incluindo Hong Kong) e Itália. Para os demais países afetados, a orientação é para que sejam avaliadas rigorosamente e substituídas por videoconferências.

Para aqueles que retornam ao Brasil após visitar qualquer localidade com um ou mais casos confirmados de infecção pelo Covid-19 (coronavírus) a orientação é que, nas duas primeiras semanas após o retorno, o colaborador realize a medição da temperatura corpórea diariamente. Se for constatada febre (37,5º C ou mais) ou houver sintomas como tosse ou dificuldade de respirar, o colaborador não poderá comparecer ao trabalho e deverá buscar atendimento médico. Se não apresentar sintomas, o colaborador poderá retornar normalmente ao trabalho. Porém, deverá continuar medindo a temperatura e monitorar o surgimento de qualquer sintoma nas duas primeiras semanas. Além disso, caso o colaborador passe em consulta médica externa (posto de saúde, clínica ou hospital) devido a qualquer situação de mal-estar, deverá entrar em contato com o ambulatório de sua unidade para comunicar o ocorrido e passar por avaliação antes de retornar ao trabalho. A empresa ainda reforça os cuidados de proteção contra o vírus e deixa à disposição os canais de contato do departamento de Viagens Corporativas.

A Honda está monitorando, diariamente, a situação de abastecimento de peças em sua operação devido ao impacto da epidemia de Coronavírus nas cadeias de suprimentos. A empresa informa que, até o momento, não há previsão de parada em suas linhas de produção. Esse cenário pode ser alterado caso a situação se prolongue."

FORD:

"Neste momento, a nossa produção ainda não foi impactada, mas estamos monitorando o tema diariamente. A Ford está agindo ativamente e tomando uma série de importantes medidas de prevenção ao coronavírus (COVID19) com o objetivo de proteger a saúde e a integridade dos seus funcionários e parceiros, seguindo diretrizes globais.

Seguem algumas das medidas adotadas até o momento:

- Reuniões diárias da liderança para acompanhar a evolução do tema e definir novas medidas de prevenção sempre que necessário;

- Ampla distribuição e utilização de álcool gel em todas as unidades da Ford;

- Reforço no padrão de limpeza de todas as instalações;

- Intensa disseminação de informações e de orientações sobre a doença por meio de nossos canais de comunicação interna, incluindo os contatos das nossas áreas médicas em caso de suspeita ou dúvida sobre o tema;

- Restrição de viagens aéreas;

- Restrição de visitantes nas nossas unidades;

- Suspensão do Programa de Visita à Fábica conduzido com escolas, universidades, etc

- Estamos estimulando a realização das reuniões por áudio e vídeo ao invés de encontros presenciais, mesmo quando os participantes estão na mesma localidade."

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