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Brasil perde seu maior antigomobilista: Og Pozzoli

Com uma coleção de mais de 180 carros, considerada uma das mais importantes do mundo, ele deixa um legado de amor pelos automóveis


Tem coisas que a gente não esquece. Como a chance de conhecer uma das coleções de automóveis mais importantes do mundo. A oportunidade veio por convite de José Luiz Vieira, amigo de longa data de Og Pozzoli, o maior antigomobilista do Brasil e um dos maiores do planeta. Og, como tive a chance de chamá-lo, era um cara generoso. Não guardava sua coleção apenas para si e convidava, vez por outra, alguns privilegiados para conhecer suas preciosidades. Fazia visitas guiadas por ele próprio. Quando pude ir, levei a tiracolo meu pai e meu tio, autor das fotos desta singela homenagem. Ambos responsáveis por meu amor aos automóveis. Foi no dia 14 de junho de 2008, um sábado frio. Og nos deixou nesta sexta (17), pouco depois de completar os 87 anos.

 

O colecionador nasceu em 27 de outubro de 1930 em Itaboraí, no Rio de Janeiro, e foi ainda menino para o Rio Grande do Norte. Serviu o Exército, onde chegou a sargento, e estudou impermeabilização, o negócio da família, na Espanha, Dinamarca e França. Resolveu se mudar para São Paulo em 1956, aos 26 anos. Veio com estilo, ao volante de um Opel P4 1937, e levou 17 dias para chegar. Só pegou asfalto do Rio de Janeiro à capital paulista. Veio daí "o vírus da ferrugem". Og acabou tendo de vender seu Opel, algo de que ele se arrependia sempre, mas começou sua coleção com um Lincoln Continental 1948 no mesmo ano em que fundou a Isoterma: 1958. E chegou a ter mais de 180 veículos, alguns deles únicos no mundo.

Um dos casos é o Moon 6-45 Piton 1918, que havia pertencido a Washington Luiz, presidente do Brasil de 1926 a 1930. Encontrado em péssimo estado e restaurado com carinho, só ele testemunha a existência desta marca americana. Outro é um ônibus Fiat, do tipo jardineira, de 1914. Um modelo que o próprio Gianni Agnelli, herdeiro do grupo Fiat, quis comprar de Og por US$ 1 milhão. O colecionador recusou e disse que era um homem realizado, como conta este excelente perfil traçado pela revista Auto Esporte. Foi chamado de filósofo por um dos homens mais ricos do mundo à época. Com toda a razão. Og era sábio.

Og Pozzoli - Fotos de Antonio Paulo Ruffo

Seu amor pelos antigos era tanto que ele sempre ia a encontros dirigindo seus carros. Fez isso enquanto sua saúde permitiu. Muitos dos modelos de sua coleção foi construída não por veículos comprados por ele, mas por doações. De gente que sabia que Og cuidaria tão bem de suas paixões como eles próprios. Os automóveis eram mantidos por um mecânico da confiança do empresário. Alguns deles em 4 galpões na Casa Vermelha, a residência de Og, outros espalhados por outros de seus imóveis.

Pozzoli foi fundador do Veteran Car Club, no Rio de Janeiro, ao lado de Roberto Lee, Eduardo Matarazzo e Angelo Martinelli Bonomi. O primeiro, também dono de uma coleção impressionante, foi assassinado em 16 de junho de 1975. Seus carros, entre eles o único Tucker da América do Sul, foram vendidos ou dilapidados por ladrões e pelo abandono, como contam os amigos do FlatOut!.

 

Og Pozzoli

Entre as histórias que gostava de contar, Og mencionava ter transportado o papa João Paulo II em 1980. Primeiro, em um Lincoln V12 1938, o primeiro dos "Beast", carros feitos especificamente para servir aos presidentes americanos. Dos 5 fabricados, restam 2. O de Og e um que está no Museu da Casa Branca. O papa também foi de Aparecida a São José dos Campos em um Chrysler Imperial 1928, também do colecionador. O imperador Akihito também desfrutou da gentileza de Pozzoli em sua visita ao Brasil em 1978.

Naquele dia 14 de junho de 2008, pudemos fazer a visita e ouvir algumas das muitas histórias deste homem extraordinário. Entre seus planos estava transformar sua coleção em um museu. Torcemos para que essa sua vontade se cumpra, ainda que postumamente, mas lamentamos desde sempre o fato de os visitantes não terem o melhor cicerone que o museu poderia ter. Ele infelizmente já "deixou o prédio". E deixará saudades naqueles que o conheceram. Obrigado, Og.

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