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Avaliação KBB™ - JAC T40

Atual aventureiro de entrada da marca chinesa seria o substituto do J3 no Brasil. Criado especificamente para nosso mercado

Por volta de 2011, o presidente da JAC, Sergio Habib, andava animado à beça com os rumos da empresa. Ela vendia bem, tinha abrido mais de 50 concessionárias e tinha planos de uma fábrica nacional. Em almoços com a imprensa, ele mostrava, orgulhoso, o carro que seria feito por aqui como a segunda geração do J3. Era um hatchback muito parecido com o HB20, desenhado pelo estúdio da JAC em Turim quase sob encomenda para o mercado brasileiro. Mas a maré virou. A fábrica deixou de ser interessante para os chineses. O Brasil deixou de comprar carros baratos que dependiam de financiamento de longo prazo. E o modelo de negócios da JAC virou de cabeça para baixo de uma hora para outra. O que vendia, agora, eram os SUVs. E os aventureiros. Foi o que bastou para o projeto de Habib se tornar o T40, um sucesso de vendas desde seu lançamento, em outubro. Não à toa: ele nasceu para agradar o consumidor do Brasil.

 

Pena é que, com isso, a versão “paisana” do T40 não saiu do papel. Ela serviria para atingir os altos volumes de produção pretendidos pela fábrica da marca em Camaçari, projetada inicialmente para 110 mil unidades. E criou uma certa confusão. O T40 seria a versão aventureira deste hatchback, como o Sandero Stepway para o Sandero comum. Ou o CrossFox para o Fox. Sem um modelo comum ao qual se referir, o T40 se sentiu à vontade para se chamar de SUV, algo que ele não é. E que seus pneus de perfil 55 mostram bem. Com alguma boa vontade, seria possível chamá-lo de crossover, mas, sabedores de como ele nasceu e do que deveria ter sido, não podemos nos furtar a dizer o que ele realmente é: um hatchback aventureiro. Bastante competitivo, diga-se de passagem.

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JAC T40

Quem procura um carro de visual robusto e com boa oferta de espaço interno se sentirá muito à vontade com o T40. Há bom espaço para as pernas e para a cabeça nos bancos de trás e o porta-malas comporta generosos 450 l de bagagem. Outro destaque é o visual agradável do modelo, provavelmente o maior fator para suas vendas além do ótimo conteúdo de itens de série e do preço relativamente baixo.

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JAC T40

Apontado como o melhor dos chineses pelos colegas de crítica especializada, o T40 ainda tem uma série de fatores que poderia ser aperfeiçoada, principalmente com relação ao câmbio e ao acabamento. O fato de ser vendido apenas com câmbio manual será sanado ainda em 2018, com a adoção do câmbio CVT que já equipa o T5.

O que tem de novo em 2017

O T40 foi lançado em 2017, o que o torna um modelo completamente novo.

Dirigindo o JAC T40

O T40 faz inegavelmente uma bela figura em meio ao trânsito, mas um olhar mais detido acaba apontando falhas que não são agradáveis para quem paga quase R$ 60 mil. Assim como no T5 e em outros modelos da marca, as portas apresentam soldas muito aparentes em seus vértices. Algo de que o Hyundai Creta compartilha, talvez pelos ângulos muito retos que as portas apresentam. Os adesivos pretos nas colunas também podem ser mal colados. Ao comprar seu T40, confira-os e peça por reparos para não perder os adesivos antes do tempo.

Em movimento, o conhecido motor 1.5 de 127 cv com etanol mostra disposição, mas o escalonamento de marchas o atrapalha bastante. A segunda é muito longa, o que faz o carro não responder da forma que se espera em situações de mais demanda de força. Em subidas íngremes, por exemplo, a segunda pode não dar conta do recado e exigir a primeira, algo que a maior parte dos modelos fabricados no Brasil dispensa. Mesmo os 1.0.

JAC T40

A suspensão de bom curso encara bem os buracos e valetas brasileiros, mas sempre acusa as pancadas. Em algumas situações, ela parece ter alguns elementos soltos, o que pode deixar alguns motoristas apreensivos, mas não se pode dizer que ela deixe o carro muito solto em curvas. O T40 é bastante razoável em termos de estabilidade.

Se você acha que isso se deve ao controle de estabilidade e de tração com que ele é equipado de série, teremos de discordar. Não chegamos a avaliar o T40 em situações extremas, mas pegamos piso molhado com ele em várias ocasiões. Nestes casos, especialmente em subidas, o que se nota é que o sistema do T40 demora a atuar, o que permite que as rodas patinem com uma frequência acima do razoável.

JAC T40

Se agrada em aparência e em espaço interno, o T40 ainda carece de mais refino quando o assunto é dirigir. Algo que talvez se resolva com a produção nacional do modelo, prevista para começar no final de 2019 em Itumbiara, Goiás.

Sacadas inteligentes

Em termos de funcionalidade, o T40 não apresenta nada que o destaque dos demais modelos. A grande sacada dele se dá em termos de estilo e de parecer mais sofisticado do que realmente é, como faz ao adotar freios a disco nas quatro rodas, com pinças vermelhas na versão mais cara, a que avaliamos. E que deveriam estar em todos os T40 por mostrar bem que ele não economiza quando a questão é conteúdo. Algo certamente mais fácil pelos custos de produção na China, bem mais baixos do que no Brasil.

Detalhes do JAC T40

Interior

JAC T40

O projeto do T40 é moderno e com ergonomia muito boa. Ele também reforça a sensação de requinte depois que se bate a porta com tecido de revestimento de aparência esportiva, volante revestido de couro com costura vermelha e detalhes de acabamento que imitam fibra de carbono. Não há nenhum porta-objetos inusitado ou digno de menção, mas também não falta nenhum dos que normalmente se espera que um modelo assim tenha.

Exterior

Como convém a qualquer aventureiro, o T40 tem bom vão livre (18 cm). Destoam um pouco da proposta os vários cromados presentes nos para-choques, mas as colunas escurecidas com adesivos e o teto preto, ruim em lugares muito quentes, dão a este JAC um ar mais agressivo. Faltam as tradicionais capas plásticas de para-lamas, mas ainda bem que ele não vem com o estepe pendurado na traseira. Algo que o T20, futuro aventureiro de entrada da marca, curiosamente apresentará.

Equipamentos

O T40 de nossa avaliação vem de série com trio elétrico (trava, vidros e retrovisores), rodas de liga leve de aro 16, pinças vermelhas nos freios a disco nas quatro rodas, barras de proteção laterais (em tempos em que andam tirando as benditas dos veículos, é sempre bom saber quem as oferece), aviso de uso de cinto para os bancos dianteiros, alarme, ESP (controle de estabilidade), TCS (controle de tração), Hill Assist (assistente de partida em rampa), TPMS (monitoramento de pressão dos pneus), sensor de estacionamento, controlador de velocidade, câmera de ré, computador de bordo, central multimídia com tela de 8 polegadas e Bluetooth, câmera frontal, ar-condicionado, ganchos Isofix, sensor crepuscular e de chuva, faróis e lanterna de neblina.

Sob o capô

JAC T40

O JAC T40 é equipado com um motor 1.5 que gera 127 cv com etanol e 125 cv com gasolina a 6.000 rpm e 15,7 kgfm (E) ou 15,5 kgfm (G) a 4.000 rpm. Ele tem duplo comando de válvulas no cabeçote, mas o variador de fase atua apenas na admissão. É um motor considerado relativamente moderno, com ótima potência específica, mas a transmissão manual que o acompanha poderia ter um escalonamento de marchas mais adequado.

Sobre o preço

Nossa avaliação contou com o T40 topo de linha, do Pack 3, vendido a R$ 60.990. Há ainda o Pack 1, não disponível, mas sensivelmente mais pelado, e o Pack 2, o verdadeiro modelo de entrada, vendido a R$ 57.990. Seja em sua versão mais em conta, seja na mais cara, o JAC T40 tem um pacote de itens de série e um preço que o tornam uma excelente pedida para quem quer um modelo de suspensão reforçada e estilo robusto. Especialmente àqueles capazes de perdoar os pecados que apontamos nesta avaliação.

Ficha técnica

Modelo JAC T40
Motor dianteiro, transversal, de quatro cilindros,  1.499 cm³
Potência 127 cv  (E) ou 125 cv (G) a 6.000 rpm
Torque 15,7 kgfm (E) ou 15,5 kgfm (G) a 4.000 rpm
Câmbio Manual, com 5 marchas
Tração Dianteira
Freios (d/t) Discos ventilados / discos sólidos
Suspensão (d/t) McPherson / eixo de torção
Dimensões (C/L/A) 4,14 m / 1,75 m / 1,57 m
Entre-eixos 2,49 m
Peso 1.155 kg
Porta-malas 450 litros
Avaliação Profissional KBB
4 de 5
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